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Passagens de uma vida-extraordinária
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w27.6.04 |
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Ok,ok, já temos quatro ganhadores para a promoção relâmpago. Encerrado.
posted by bruno at 15:16
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Hoje é domingo, são 9:30hs, e amanhã é a gravação do nosso primeiro dvd. Será um show fechado, para poucas pessoas, entre fãs e convidados da banda. Os ingressos postos à venda (através do nosso site) esgotaram-se rapidamente e muita gente reclamou. É preciso compreender, no entanto, que seria impossível atender a todos que manifestaram desejo de participar desse show tão especial, e será especial porque se realizará num lugar especial, onde infelizmente não cabe muita gente. No intuito de tentar amenizar esse inconveniente resolvi destinar alguns dos ingressos aos quais eu tinha direito para vocês, leitores do Instante Anterior que, como eu, acordam cedo aos domingos. Para ter direito a um dos quatro ingressos, basta responder a seguinte pergunta: qual era a cor do meu saco na corrida de saco do clipe de Todo Carnaval tem seu fim? Os quatro primeiros que mandarem a resposta correta para eunodvd@hotmail.com, terão seus nomes colocados na lista de convidados que estará na porta do Cine Íris amanhã, às 20hs. Bom, boa sorte para todos, estou esperando as respostas!
posted by bruno at 09:37
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w17.6.04 |
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Nossa, eu esqueci de comentar uma coisa: eu vi a rainha; a original, a mais famosa, a mais rica, Elizabeth II. Foi assim: eu andava alegremente pelas ruas de Londres quando comecei a ouvir ao longe uma banda marcial. Fui me aproximando do som e das bandeiras do Reino Unido que se estendiam por uma comprida avenida tomada por uma multidão que se espremia pelos calçadas, enquanto desfilavam centenas de soldados com aquele penuxo preto na cabeça que parece o Floquinho, cachorro do Cebolinha. Senti que se tratava de algo solene e lá fiquei, quietinho, com minha máquina fotográfica em riste, aguardando a possibilidade de levar para o Brasil fotos incríveis de um evento que eu não tinha nenhuma idéia do que se tratava. Para minha sorte aquela era a Royal Soldiers Parade (ou algo parecido invertendo a ordem dessas mesmas palavras) que só acontece uma vez por ano, no sábado mais próximo do dia 10 de junho. Me esbaldei de fotografar soldadinhos de todos os tipos e todas as cores, mas a pergunta que não sai da minha cabeça era: "será que a rainha vai aparecer?". O policial disse que sim e eu fiquei lá, meio incrédulo, porque a única rainha que eu tinha visto até a presente data tinha sido a Xuxa, mas ela nem é rainha de verdade, e eu tinha uns 11 anos. Aliás, não gosto de lembrar dessa ocasião porque nas duas vezes em que estive no programa da Xuxa (87 e 89) as paquitas me iludiram, me chamaram para brincadeiras e depois me largaram num canto, enquanto o meu irmão, nas duas ocasiões, brincou e ganhou, e isso é um trauma pra mim. Mas então, voltando ao presente, eu fiquei lá esperando a rainha e nada dela vir, foram horas de aspones desfilando. Vcs imaginam quantos puxa-sacos tem uma rainha? São dezenas, e todos desfilaram, dando tchauzinho para a multidão e tirando onda de nobreza. Fora que eram centenas de japoneses fotografando tudo e colocando suas cabecinhas na linha de frente da lente da minha câmera. Eles sempre estão em todos os eventos! Pode olhar qualquer foto que vc tenha tirado no exterior, mesmo que seja no seu quarto de hotel, sempre tem um japonês no canto, com uma câmera fotográfica pendurada no pescoço e um chapeuzinho de pescador. Voltando a história, achei que estava mal posicionado em meio aos japoneses e resolvi procurar um lugar melhor. A apreensão era enorme e eu sentia que era tudo ou nada, tentar mudar de ponto poderia significar estar em trânsito quando a rainha finalmente desfilasse, mas eu fui em busca de melhores fotos e corri no meio da multidão em direção a extremidade leste do palácio, lá no fim da avenida. Era tão perto de onde saiam as carruagens que ninguém imaginava ser possível ficar ali, mas era, e a visão era incrível. Não demorou muito para as cornetas soarem, os tambores rufarem e surgir de dentro do palácio a carruagem que trazia aquela manchinha verde-alface acenando para a multidão. Foi tudo muito rápido, mas eu consegui tirar duas fotos dela, de uma distância razoável até, e com isso realizei a façanha de ver pessoalmente a rainha da Inglaterra, e olha que eu nem queria. Ela passou, a multidão se dissipou e eu segui sem entender como a monarquia existe até hoje. Mas eu tive algumas pistas; observando as pessoas que estavam no desfile, posso afirmar que a monarquia inglesa é sem dúvida o trabalho de marketing mais eficiente do milênio. Nada de Nostradamus, Da Vinci, Papa ou Colombo, a realeza britânica, de forma geral, é a mais bem sucedida "personalidade" desde Jesus Cristo. As pessoas adoram a idéia da nobreza, da pompa e da luxúria, e isso poderia render divisas inimagináveis se fosse mais bem explorado. De cara já penso em alguns produtos como o Queen´s Rock Café, uma cadeia de restaurantes temáticos com sedes espalhadas pelo mundo e na British Royal-Cola, um refrigerante com a refrescância e a tradição dignas da coroa. Poderia também ser lançado o Royal Family Action Figures, que seriam bonequinhos da rainha e dos príncipes, sucesso garantido entre as crianças. Outro produto associado que também pegaria bem seria o Buckingham´s Inn, uma rede de hotéis onde cada hóspede seria tratado como um rei. Bom, devaneios a parte, quando a foto for revelada eu coloco aqui.
posted by bruno at 16:24
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w14.6.04 |
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Continuo aqui no Reino Unido e esta tudo otimo, mesmo sem acentos. O calor chegou de vez e o clima de Brasil ate que fica no ar com os ingleses bebendo cerveja do lado de fora dos pubs com aquela montainha de bolsas no chao. Tenho andado muito, passeado bastante, sempre observando as sutiliezas culturais que existem e tanto me fascinam. Percebi por exemplo que pelo menos 50% dos lngleses sao indianos, sao muitos, milhares, por todos os cantos. Ontem eu assisti ao jogo Franca Inglaterra pela Eurocopa num pub. Os ingleses gritam o tempo todo, ate quando a bola sai pra lateral. Eles perderam o jogo de uma forma absurda, dois gols nos 2 ultimos minutos de jogo e saiu uma porradaria sem precendentes aqui nas ruas, assutador. Os hooligans estao todos em portugal mas a verdade eh que os ingleses enchem a cara sempre e a porrada estanca por qq motivo. Aqui eh normal ver pessoas cambelando no metro, ja no inicio da noite, e no horario do almoco todo mundo vai pro pub beber cerveja. Mas sao todos muito cordiais e prestativos, gostei bastante do astral daqui. Tem uma coisa Nova Iorque de cidade enorme mas tb tem um charme, uma tradicao, uma historia que realmente fazem a diferenca. Hoje visitei um castelo que data de 1280, nessa epoca nao tinha nem indio ai onde vc mora, e ja existia a Inglaterra. Bom, mas aqui tudo eh muito, muito caro para nos. Nao da nem pra pensar que um museu pode custar tranquilamente 60, 70 reais. Um fish and chips (peixe com batatas fritas) sai por 35 reais! Mas eu esqueco a conversao e aproveito para fazer as coisas que precisam ser feitas. Fico aqui mais um dia e meio e volto para o Brasil afim de retomar uma intensa agenda de compromissos. E nunca se esqueca: mind the gap. Se vc nao entendeu venha pra ca e vc vai saber do que estou falando.
posted by bruno at 16:32
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w12.6.04 |
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Oi, estou em Londres. Aproveitei o show em Portugal (que foi otimo) para dar uma esticadinha na capital do velho mundo. Estou adorando tudo e vivendo situacoes incriveis e sem acento. Desculpem os erros mas aqui tudo eh muito louco. Ontem eu me atendi sozinho no supermercado; vc escolhe na tela os produtos que esta levando e depois paga, sem ninguem olhar ou meter a mao. Estou num albergue e apesar de ser da juventude so tem velho! Maior malandragem, so tem coroa. Tem pai com filho e ate umas idosas, tipo avo mesmo, nao entendi nada. Mas aqui eh muito bacana. Eu estou um pouco triste porque ontem, no primeiro dia, perdi meu week pass do metro que tinha custado 20 libras, mais ou menos 120 reais, tive que comprar outro, nao teve jeito. Fora isso hoje de manha perdi a chave do cadeado do meu locker e pensei que teria que arrebenta-lo na marra. Fui todo sem graca pedir um alicate pra atendente e ela me puxa um com uns 50 centimetros de comprimento e perguntou se servia. Pelo visto deve acontecer todo dia....Bom, eh isso, ainda fico aqui uns bons 5 dias e tenho andado que nem uma mula, das 9hs as 18hs, tipo horario comercial mesmo. Dica do viajante: quando vier a Londres e for comer num indiano nao acredite que o curry eh pouco apimentado, eles nao tem nocao do que eh razoavel. Ate.
posted by bruno at 14:41
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w2.6.04 |
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Ontem foi um dia estranho. Estávamos lá como banda, no Prêmio Multishow, em meio à fina flor da classe artística, para tocar e concorrer a prêmios em quatro categorias. O clima "subúrbio" sempre predomina e ficamos lá, num canto, com vergonha dos outros artistas, observando tudo e falando mal das roupas alheias. O problema é que nesses ambientes que tem muitos artistas começa todo mundo a gritar e dizer que tudo "é do caralho" e "muita merda pra vocês" e muita roupa brilhosa, muito gel no cabelo, muita maquiagem, promessas que nunca se realizarão, pegando pelo braço, essas coisas, e a gente fica que nem menino perdido na estação de trem, se sentindo ET. Pois bem, nessas horas o alento vem da serenidade de algumas pessoas, a turma que não acredita nessa lengalenga de ser famoso, que não se deslumbra com o spotlight nem com a câmera ligada ou que já viveu um tanto pra perceber que o que vale é o que se leva disso tudo. Eis que eu, no ápice da minha timidez, me deparo com Paulinho da Viola e vou cumprimentá-lo, meio sem jeito, imaginando se ele se lembraria ou não de que estivemos juntos numa gravação do hino do Vasco há alguns meses. Paulinho me cumprimenta com sua sabida serenidade e com um forte aperto de mão, como fazem as pessoas de bem, e me diz que não só ele como toda a família freqüentam esse blog. Na hora fiquei meio sem saber o que dizer porque, sinceramente, nunca pensei nele como leitor, mas já não sei qual é o alcance dessas minhas mal pensadas redações que se perderam de mim e que hoje sempre acabam me surpreendendo e trazendo alegrias como essa. Fico um pouco encabulado e ao mesmo tempo orgulhoso de saber que não só o Paulinho como outras pessoas que admiro lêem meus textos. Claro que enquanto escrevo agora só me vêm à cabeça os piores textos, os menos inspirados, e me dá vergonha, mas ao mesmo tempo estamos aí, vivendo e aprendendo a jogar, porque viver tem dessas coisas. Seguindo a noite também levamos pra casa o prêmio de melhor banda do ano. Olha, eu juro que nenhum de nós cogitava minimamente ganhar esse prêmio. Pra ser honesto, o que pode parecer até um pouco de descaso, eu nem sabia que a gente estava concorrendo nessa categoria. Cpm22, Skank, Rappa e Jota Quest, todas bandas que vendem bem mais e têm bem mais visibilidade, execução nas rádios e fãs do que nós. Mas não sei o que aconteceu que nós ganhamos, e foi nisso em que eu fiquei pensando quando ouvi nosso nome. Daí entra nossa música alta e aparece a nossa cara no telão, e a gente tem que levantar e subir no púpto dos vitoriosos. Dá medo de ser vaiado, de tomar uma bolinha de papel nas costas ou de alguém gritar "é marmelada" ou simplesmente "viadinho". Daí subimos no palco e a Paula Toller aconselhou a pegar o prêmio com as duas mãos porque é pesado. Eu ri na hora e quase deixei o prêmio cair. Puta que pariu, deve pesar uns 5 kg, sem brincadeira, parece uma criança pequena. Aí a gente chega no palco e está todo mundo sentadinho, todos aqueles artistas olhando pra gente, e não dá vontade de falar nada. Até porque nego gosta de fazer agradecimento...; eu, como espectador, já estava de saco cheio dos discursos enormes que marcaram a noite, nego é muito sem noção! Aí optamos por ser simples e agradecer rápido. E, de improviso absoluto, prestamos um valioso serviço para o andamento da premiação. Depois nós demos a volta e fomos tocar. Mas é estranho porque está tudo iluminado, e o som é baixinho, não dá empolgação. E vocês sabem que eu sou super empolgado, enlouqueço no palco, e sinto muita falta daquela energia de show. Em seguida sentamos lá nas cadeirinhas de novo e ainda faltavam três categorias. E eu rezando pra gente não ganhar mais nada. Será que isso é normal? Porque eu fiquei com medo de ser vaiado tipo, "tá meninada, já deram sorte, ganharam um prêmio, já tá ótimo, agora sentem aí e se dêem por satisfeitos". Eu já achei tão estranho ganhar um prêmio que pensei que qualquer coisa poderia acontecer. Mas felizmente ou infelizmente não aconteceu. A festa acabou e eu despachei meu prêmio-tijolo via minha mãe, que estava no balcão superior. Estão vendo como a gente é "subúrbio"? A gente leva a mãe no prêmio, dei tchau e tudo, deve ter aparecido na televisão. Se bem que a Sandyjunior também leva a mãe, todo ano, e ainda senta do lado, acho que tudo bem então. Bom, mas de qualquer forma ficamos muito satisfeitos de termos ganho esse prêmio, é um prêmio bacana esse de melhor banda. Porque é um conjunto de muitas coisas, né? È como um voto de confiança das pessoas, de que a gente vai pra frente. Obrigado a todos que votaram. Acho que a gente não agradeceu direito, mas foi por caipirice mesmo. É porque fica todo mundo olhando e luz e foto e câmera. Bom, continuem votando aí na gente, quem sabe um dia não aprendemos?
posted by bruno at 19:24
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