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Passagens de uma vida-extraordinária
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w26.3.04 |
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posted by bruno at 19:04
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Porra, peraí, agora eu fiquei puto; explorando o excelente Copacabana.com me deparei com uma lista de notáveis que moram no bairro, são eles:
Benedito Valadares
Olímpio Mourão Filho
Cibilis Viana
Roberto D´Ávila
Dorival Caymi (estava sem y, eu que corrigi)
Augusto Frederico Schmidt
Odílio Denys
Paulo Coelho
Billy Blanco
Mário Lago
Neguinho da Beija-Flor
Josué Montello
Dercy Gonçalves
Braguinha
Marta Rocha
Alguém aí leu Cauby Peixoto ou sou eu que estou drogado? Que que isso, minha gente!? Tem Neguinho da Beija-Flor e não tem nosso grande interprete, Cauby? E quem diabos é Odílio Denys? Peço licença a Renato Russo e pergunto: que país é esse? Que bairro é esse que ignora uma lenda viva como Cauby Peixoto? Não aceito. Sinti também falta de outros nomes, representantes da nova geração, tais como Alexandre Kassin, Pedro Sá e, claro, Bruno Medina. Inicio desde já uma campanha: quero ser incluido junto com meus amigos na lista de celebridades de Copacabana! O primeiro passo, porém, é reivindicar a presença de Cauby. Segue abaixo o email que redigi:
Gostaria de parabenizá-los pelo excelente site, eu como morador do bairro há mais de 25 anos fico grato em perceber tamanha dedicação. Estive olhando a lista de notáveis que moram em Copacabana e dei por falta de um nome: Cauby Peixoto. Coincidentemente moramos no mesmo prédio e imagino que talvez não seja do conhecimento de vocês que este, que é um nome tão expoente em nossa música, seja também um morador do bairro.
Atenciosamente,
Bruno Medina
Vamos devagar, depois eu falo dos outros...
posted by bruno at 17:51
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w25.3.04 |
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Acabei de descobrir uma pérola internética; trata-se do site Copacabana.com , que maravilha. O site é inacreditável: galeria de fotos, história do bairro, CEP das ruas, história do nome das ruas, lista de todas as bancas de jornal e telefones públicos! Taí uma coisa que eu sempre quis: saber precisamente a posição de todos os telefones públicos do bairro. Existe ainda o amizade.Copacabana.com, para vc morador do bairro que se sente sozinho, que quer conhecer seus vizinhos.É possível também adquirir um email @Copacabana.com, que vamos combinar, é muito chique. Imagina vc no exterior, passando seu email pra alguém com a terminação do bairro mais famoso do Brasil. Vai ver se Ipanema chega perto de ter esse prestígio! Agora o que me pegou mesmo foi a forca com as ruas do bairro: até pra mim, que já tenho mais de 20 anos de Copacabana, é complicado, o jogo é tinhoso, só tem rua lado B, mas eu ganho todas, não tem jeito. Tem tb as câmeras posicionadas em pontos estratégicos; posso por exemplo vigiar meu irmão mais novo de qualquer lugar do mundo, pra ver se ele está fazendo bagunça na rua. Enfim, é um mar de informações, vale a conferida. Dei até um search de Bruno Medina dentro do site, mas infelizmente não existe ainda nada da minha história relacionado com a do bairro, mas isso há de mudar! Mais tarde vou dar um pulo aqui em cima no Cauby e falar com ele que um prédio como o nosso, com moradores do nosso quilate, merece virar ponto turístico.
posted by bruno at 12:28
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w22.3.04 |
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Outro dia eu estava navegando nesse mar virtual que é a grande rede (juntando algumas das piores metáforas relacionadas à internet, as que eu esqueci o Gil colocou naquela música que ele fez) e me interessei por um daqueles cabeçalhos de página que sempre propõem coisas incríveis. Normalmente é "mude sua vida clicando aqui" ou alguma do gênero, mas dessa vez a proposta era mais humilde e por isso mesmo mais tentadora: um teste de Q.I. Quando eu tinha uns 10 anos de idade eu escrevi uma peça para encenar na escola; inventei todos os personagens, as falas, os cenários, tudo. Essa capacidade impressionou alguns professores e uma colega, Roberta . Curiosamente Roberta era a maior CDF da paróquia, só tirava 10, e julgava, não sei porque, que eu sim é que era inteligente, apesar de minhas notas nunca apontarem nessa direção. Na verdade eu sempre fui meio distraído, relapso e preguiçoso, por isso sou músico, mas o fato é que Roberta tinha uma tia que realizava testes de Q.I e a mesma se interessou em aplicar um desses em mim. Lembro-me perfeitamente, o nome da tia era Olga, lembro-me também que na época Olga me pareceu nome de gente chata e eu não quis fazer o tal teste. Talvez eu tivesse com medo de desapontar Roberta e a sua tia com minha inteligência mediana, talvez eu não tivesse uma tarde disponível em meio a tantas brincadeiras e horas de videogame. Alguns anos depois fiz um teste de aptidão (era ano de vestibular e eu estava em dúvida quanto à escolha de uma profissão), funciona assim: no primeiro dia eles aplicam um questionário, com várias perguntas, dentre elas que profissão você pensa em seguir e, no final de um período de uma semana, depois de muitas etapas, te dizem para quais profissões você efetivamente possui aptidão. Acontece que em 98% dos casos você está apto a seguir a profissão que escolheu no primeiro dia, até porque querer exercer a profissão é fundamental para ser feliz com ela. Pois bem, nesse teste ou curso, não sei bem, durante uma semana você exercia diversas atividades e uma delas era o chamado teste de inteligência aplicada: era um teste com várias perguntas, com problemas matemáticos, diagramas, desenhos, enfim, questões que envolvem todos os campos do conhecimento. Realizei o tal teste e o resultado foi pífio. Não me lembro exatamente dos números, até porque a gente só lembra do que interessa, mas eu sei que eu fui péssimo e fiquei arrasado. Me senti burrão, guardei o teste caladinho, mas claro que tinha um colega da escola fazendo o curso comigo, e ele soube que eu era mais burro do que ele. Depois dessa chocante constatação pensei que eu teria um futuro profissional medíocre e fiquei grato por ter fugido do teste de Q.I da dona Olga. Mas talvez se eu descobrisse que era burro com 10 anos, aos 16 já seria um pouco menos, de repente eu poderia ter feito algo, mas águas passadas não movem moinhos. Felizmente o mentecapto aqui passou para 3 faculdades, uma delas pública, e seguiu sua vida, a vida que sua parca inteligência o permitiu. Passam mais alguns anos e lá estava eu em frente a outro teste de Q.I. Cliquei na barra e caí dentro do teste; as questões eram em inglês, portanto a desculpa para um mal resultado já existia, não havia o que temer. Qualquer coisa era só não comentar com ninguém e continuar sendo burrão em segredo. Fiz o tal teste. Lia e relia as questões, pensava, desenhava, voltava, tudo dentro da maior honestidade, sem roubalheira. No final o resultado foi o seguinte: Q.I = 124. Achei um número bonito. Estou me sentindo nu dizendo isso, porque de repente o legal é ter Q.I = 160 e eu sou uma ameba e não sei, me achando super inteligente. Mas a minha verdade é essa, eu sou um garotão Q.I=124. Não adianta porque não é 123 e nem 125, 124 é a minha realidade e é isso aí que minha cabecinha pode dar para esse mundo. Na realidade qualquer coisa que fosse acima de 100 pra mim estaria bom. Agora não me perguntem onde é possível fazer o tal teste porque guardar essa informação é só de 125 pra cima....
posted by bruno at 19:07
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w17.3.04 |
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Ontem assisti ao filme Na Captura dos Friedmans. Trata-se de um documentário sobre uma família de classe média alta de uma cidade do interior do estado de Nova York que do dia pra noite se vê envolvida com a polícia através de diversas acusações de pedofilia supostamente praticadas pelo patriarca da família. O que mais impressiona no filme porém não é a aspereza dos relatos ou o surrealismo de situações causadas pela desestruturação de uma família aparentemente normal, e sim a estarrecedora capacidade documental dos Friedmans; grande parte do filme é constituída por cenas oriundas do arquivo pessoal da própria família e isso causa espanto mesmo hoje, em tempos de Big Brother. Porque tudo é real, inverossímil mas real. Os Friedmans registraram todas as discussões, as etapas judiciais, a divisão da família, a desconfiança, o medo, a inútil tentativa de se tentar seguir com a vida quando pouco havia para ser mantido. Além disso é também curioso e chocante testemunhar a vida sem protocolos, como agir em casos como esse? Nenhum dos Friedmans sabia, poucos saberiam, mas a vida sempre segue à diante e tudo fica posto em algum lugar. Saindo do cinema o espectador tem a impressão de que tudo aquilo poderia ter acontecido na casa ao lado, em qualquer família, e a verdade é que pode mesmo. Assim como na vida, somos levados a pensar que não há verdade absoluta e que tudo aparentemente é bastante relativo. Imputar culpa é complicado, relativizar é muito difícil, o homem se perde dentro das leis que ele mesmo criou. Caso você vá assistir a esse filme em busca de verdade o que vai encontrar é ficção, porque a vida tem o dom de se transfigurar em determinadas ocasiões.
posted by bruno at 08:19
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w14.3.04 |
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Olá. Hoje é um dia importante na vida do Instante Anterior; nasceu seu rebento, aumentaum. A partir de um texto senti vontade de desenvolver uma história, um conto, e achei que essa minha nova fase não caberia no Instante Anterior. Por conta disso, para não alterar tão profundamente o teor de meu primogênito Blog, resolvi criar outro, um que seja co-irmão do original, no qual eu possa me dedicar exclusivamente a escrever histórias. Ainda estou me acostumando com a idéia e com a prórpia linguagem, portanto não sei se essa primeira história vai ser a única, se vou parar no meio ou se esse é o início de uma outra fase na minha vida literária. Sim, eu considero ter uma vida literária; temos que aprender a parar de ter medo dessa palavra! Quem escreve é escritor, ruim ou bom, mas é. Portanto a partir de hoje me auto-proclamo músico e escritor. O primeiro profissionalmente e o segundo, que Deus me ajude. O meu nome agora é Bruno Chateaubriand, e estou caminhando para a construção de um império das comunicações na internet. Tenho uma rádio no site do LH e dois blogs, aguardem o meu canal de tv. É isso. Não sei como vai ser a divisão do meu tempo em relação a escrita, espero que consiga me dedicar aos contos e tb as crônicas. Enfim, vamo que vamo.
posted by bruno at 20:29
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Caro Jean:
Fico grato em saber que você chegou bem. Pelo visto o ar do mediterrâneo pós em ordem seus sentidos novamente. Chegar em casa é sempre uma experiência gratificante, mesmo quando temos a impressão de que a temporada à deriva poderia ter sido maior. Compreendo seus motivos para partir repentinamente de Paris e imagino que um tempo em casa não te fará mal. Sei que os dias em Marseille passam mais devagar, e sei também que esse atraso no seu relógio interno agora se faz necessário, mas saiba que o tempo em Paris urge, a cidade não parou para a sua despedida. Apesar da justa homenagem de sol e chuva no seu trajeto até o aeroporto, quando seu avião partiu rumo ao litoral a cidade não pensou em parar. A memória que você tem daqui já não corresponde mais à realidade factual, tudo está se transformando a cada novo segundo; as paisagens, as pessoas, tudo novo. Ontem eu vi Claire. Ela atravessava a rua lendo um livro, não me viu. Parecia estar diferente desde a última vez que a vi, o cabelo talvez. Quanto tempo isso faz? Dez, quinze dias? Bom, não te escrevo para obrigá-lo a lembrar do que talvez você deseje esquecer, mas a verdade é que tenho a impressão de que você possui pendências nessa cidade. Não me refiro às financeiras, porque essas eu até estou disposto a perdoar, mas sim as emocionais, as que o tempo invariavelmente insistirá em cobrar. Jean, não se engane, uma parte significativa de sua vida está aqui. Não será possível terminar sua história com Claire por determinação, um tratado, um acordo, essas coisas não possuem a razão dos armistícios políticos! Você precisa urgentemente viver o que ainda há pra ser vivido, porque não haverá lugar no mundo distante o suficiente para fazê-lo esquecer dessa menina, não haverá moradia que sirva para alguém que está em outro lugar. Você está em Paris. A continuidade de sua vida está aqui e receio não ser possível pular esse capítulo.Volte imediatamente.
Um abraço,
Theodóre
Depois de uma primeira leitura Jean ainda por mais duas vezes leu a carta do amigo. Já era possível memorizar alguns trechos, entretanto ainda não conseguia mover-se da cadeira, estava estagnado e estarrecido com a clareza das palavras de Theodoré.
-- então é possível enxergar isso tudo, mesmo de lá... Como eu não vi daqui?! -- exclamou para si mesmo. Levantou da cadeira, olhou para o relógio de parede sobre a cama, 23:15hs.
-- ainda posso pegar o trem da meia-noite, preciso chegar em Paris o quanto antes.
Está história continua aqui.
posted by bruno at 15:41
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w10.3.04 |
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Carta a um amigo:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Prezado Théodore:
Acabei de chegar em casa. Botei a roupa suja pra lavar, desfiz as malas, fiz a barba e sentei aqui pra te escrever. Deixei a sua casa em Châtelet e peguei um táxi até o aeroporto. Quarenta francos mais tarde cheguei ao meu mezzo-destino, e o sol que tinha brilhado tão bonito em nome da minha despedida se transformou em lágrimas de chuva e de tristeza de quem parte sem querer. Bonito, mas atrasou meu trajeto. Chegando no aeroporto, logo na entrada, as cadeiras de espera do terminal me fizeram lembrar de uma cena: oito meses atrás, eu sentado ali pensando como faria para entrar em contato com aquela menina linda que eu havia conhecido na estação, e desde então, desde o dia vinte e três de julho do ano passado, eu não passei um dia sequer da minha vida sem pensar nela.
Foram tantas idas e vindas, tantos sentimentos às vezes até conflituosos, tantas coisas vividas com ela que essa intensidade, esse carinho tornou-se maior do que deveria. Fui para Paris para mais uma temporada de acertos e erros, sem nada esperar da vida, e mais uma vez vivi tudo que já esperava; de bom e de ruim. Dessa vez tive a oportunidade de entender melhor a geografia da cidade, as pessoas e até a mim mesmo. A Claire eu continuo não entendendo. Só que esse carinho que eu sinto por ela, que é tão grande, que eu não sei o que fazer com ele, transbordou e desceu com a chuva pelas ruas da cidade até parar ali, algumas quadras abaixo, na esquina onde você mora.
Ter te conhecido me ajudou a voltar a ter fé na humanidade, porque me envolvi com uma menina que não ama a vida, e eu já estava começando a acreditar nisso também, meu caro. Obrigado a você pela generosidade, pelo afeto, pelo desapego, pelas lições de vida e de simplicidade que me ministrou nessa louca semana que nós tivemos, cada um com as suas, mas o tema era certamente o mesmo. Enquanto isso eu vou removendo o amor de dentro desse barco que já afunda, mesmo que seja com um copo, aos poucos, tirando de Claire e distribuindo entre os amigos, pelos meus livros, pela música, pelas pessoas que o valorizam e o merecem. Não digo "dessa água não beberei", nunca se sabe o tamanho do deserto quando se entra nele, e pode ser que eu tenha sede, mas esteja certo de que estou a procura de outras fontes. Ainda no aeroporto almocei terrivelmente como os americanos; double cheeseburguer, batatas oleosas e refrigerante, de sobremesa um chocolate, tudo que a minha condição estomacal restringe, eu queria me entorpecer. Como acontece sempre que eu bebo refrigerante, meu estômago doeu, e aquela dor canalizou tudo que eu precisava deixar em Paris. Normalmente eu saio de trem, pelo cú da cidade, dessa vez saí pelo céu. O horizonte acinzentado foi ficando pra trás e eu de olhos fechados, amortizado pelas diversas dores, acabei cochilando. Acordei com o trem de pouso do avião se abrindo -eu que nunca durmo em avião- e quando abri meus olhos de novo estava na minha querida Marseille.
Pela janela vi o sol, o relevo tão diferente da paisagem de 30 minutos atrás, água pra todos os lados, a minha casa vista do avião, chorei. Pedi desculpas por ter abandonado minha cidade que tanto amo, por ter deixado pra trás minha razão e as minhas raízes, por ter acreditado que a felicidade morava em outro lugar, Marseille entendeu. A cidade me recebeu de novo de braços abertos, e quando eu estava ali, ainda no céu, pertinho de Deus, pedi pra Ele apaziguar meu coração, pedi pra Ele tirar Claire da minha vida e trazer pra mim alguém que mereça verdadeiramente o meu amor. O avião beijou o solo selando o pacto e Marseille me saudou com sua costumeira umidade e seu calor mediterrânico, como um cachorro bobão que lambe o dono na volta do trabalho. Não pense que estou triste. Estou feliz por ter vivido tantas coisas, por ter aprendido a suspeitar de tudo que é exato, porque a vida não faz nenhum sentido, e eu precisava entender isso o quanto antes. Claire é apenas uma lição, outras maiores virão, e eu vou estar sempre aqui disposto a aprender o que a vida quiser me ensinar. Eu nunca derramei uma lágrima sequer por Claire, nunca achei que ela merecesse, mas agora uma me escorre pelo rosto em virtude da grandiosidade de nossa amizade.
obrigado por tudo, amigo.
Au revoir!
Vamos vivendo...
Jean.
posted by bruno at 21:23
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w3.3.04 |
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Ninguém está preparado. Já pensaram nisso? Ninguém está preparado. Eu cheguei a essa conclusão conversando com amigos, quando alguém da mesa lembrou que é possível fazer uma traqueotomia com uma caneta Bic em uma pessoa sufocada. Alguém aí se sente apto a furar o pescoço de uma pessoa com uma caneta de plástico e imaginar que isso foi necessário para salvar sua vida? Alguém aí se sente preparado para operar a saída de emergência de um avião caindo? E alguém aí se sente preparado para amar? Ou para ser amado? Será que existe preparo pra isso? Um curso talvez? Um amigo meu me disse uma coisa que ficou martelando minha cabeça: todo mundo lê Fernando Pessoa, Leminski, assiste aos filmes do Almodóvar, se sente super sensível, mas poucos são os que verdadeiramente vivem a poesia que tanto admiram. Poucos são os que submetem sua sorte às lacunas do acaso, à mercê dos sentimentos sem tradução. Acham tudo bonito no filme, nas páginas de um livro, mas na vida, na vida dá medo. Julgar é fácil pra quem está de fora e viver é complicado demais às vezes. Se a vida imita a arte então vamos ao cinema pra compreender o que se passa dentro de nós. O norte do coração nem sempre nos leva ao porto mais seguro, mas eu tenho certeza que estamos aqui pra isso exatamente, para estar à deriva. Navegar é preciso! Eu pelo menos quando for velho quero ter minhas histórias de pescador pra contar; "das chuvas que apanhei/ das noites que varei/ das marcas que ganhei nas lutas contra o rei, nas discussões com Deus". Quero ter o coração calejado como as mãos do camponês, quero ver que a vida passou por mim e que me deixou marcas. E que eu deixei marcas nela também. Quero não saber de cór. Eu não me sinto preparado e acho que nunca vou estar, mas mesmo assim - mesmo sendo ainda um menino - sinto que a vida sempre encontra seus caminhos para seguir à diante. Pelas frestas, escorrendo, deslizando, se esquivando, e segue. "Um homem dono de si mesmo pode dar fim a um desgosto com a mesma facilidade com que inventa um prazer", assim disse Oscar Wilde no livro em que estou lendo. Um pouco cruel mas verdade. Posto isso, vivamos!
posted by bruno at 13:35
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Estou vivendo, já volto.
posted by bruno at 23:32
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